Chifrudo dobrado

29/11/2017 23:47:55 por Kleber Santos em Colunas
Geraldo Duarte
Advogado

Conhecido bodegueiro da Avenida Carneiro Mendonça, bairro Demócrito Rocha, ganhou fama nos anos sessenta e setenta do século passado.

Não somente pelo sortimento de produtos, crescentes vendas, localização do ponto comercial e converseiro com os fregueses. Em particular, aqueles do grupo de cachaceiros que se postava, diariamente, no reservado especial para os papudinhos.

O merceeiro incumbia o despachar de gêneros alimentícios e de armarinho a um auxiliar e dedicava-se, quase exclusivamente, à mercancia de bebidas alcoólicas. Cerveja e cachaça as mais solicitadas. Ingeridas e complementadas por goles do santo, caretas e cusparadas tradicionais ao pé do balcão.

Assuntos destacados faziam-se os da vida alheia. Fofocas acerca de moradores. Mudanças madrugadoras de pessoal da caderneta do fiado. Entretanto, os campeões imbatíveis, mostravam-se os casos de cornos e cornagens.

Preferidos pelo mercante, habitual incentivador, comentando casos da área.

Os fregueses admiravam-se de sua desenvoltura na temática, pois o sabiam chifrudo. Desconheceria as peripécias da esposa? Houve quem dissesse até cego enxergar.
Sempre acontece “um belo dia” em histórias e, nesta, existiu. Um, do tipo “convencido”, soube ter o comerciante o citado como tal e foi tomar satisfações.
Deram-se acalorados insultos e ameaças mútuas de lavagem da honra com sangue. A turma do “deixa disso” interveio e acalmou os galhudos.

Parecia tudo sanado, quando o acusado gritou: “Posso ser corno, mas não sou corno dobrado!”.

Curiosice total. Corno dobrado? Explicação deu-se: o negociante era traído com homens e com mulheres...
 
*Administrador e dicionarista.    

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