Homens e Instituições

04/06/2018 20:44:57 por Eugênio Nascimento em Colunas

Angelo Roberto Antoniolli - Reitor da UFS


Não posso renegar o sacrifício de lutar e defender os ideais de toda a minha vida”, disse um dos ícones da imprensa brasileira, Barbosa Lima Sobrinho. Um homem de profundo discernimento em relação à vida e aos diversos fatores que a compõem. Um jornalista ético e assoberbado de dignidade em tudo o que abraçou. Presidente, por três vezes, da Associação Brasileira de Imprensa – ABI. Um brasileiro respeitado por quem se dá ao respeito. Em qualquer tempo, em qualquer lugar e em qualquer situação.

Assim como o acadêmico Barbosa Lima Sobrinho, eu também não poderei jamais deixar de lutar e defender os ideais que absorvi e propaguei em toda a minha caminhada, desde os tempos estudantis, sempre na luta em defesa dos princípios democráticos. De São Paulo, onde nasci e galguei os bancos escolares até o doutorado, a Sergipe, terra que escolhi, dentre muitas opções, para viver, constituir família, trabalhar, respeitar as pessoas e esperar delas, no mínimo, o mesmo respeito.

Fiz do magistério a minha opção de vida profissional. Na Universidade Federal de Sergipe, em mais de vinte anos como professor e pesquisador, construí e/ou aprimorei o que eu tenho, o que eu sei e o que eu sou. Com trabalho sério, dedicado, comprometido e com o sentimento de pertencimento em relação à UFS, aos meus colegas e aos meus alunos. Fora da UFS, à minha família, especialmente ao meu filho, a quem amo e a quem tenho procurado legar um exemplo de vida limpa e digna, mas, também, aos meus amigos, que são muitos, e a quem divide comigo os momentos de intimidade familiar.

Ao longo de muitos anos, na gestão do meu Departamento, do meu Centro, como vice-reitor em dois mandatos e, enfim, como reitor, agora, quase nos meados do segundo mandato, graças ao apoio da comunidade acadêmica – professores, técnico-administrativos e alunos – tenho procurado servir à Universidade Federal de Sergipe com a mesma serenidade com que ministro aulas e realizo pesquisas, ou executo projetos de extensão. Jamais me deixei levar por sentimentos que pudessem constranger as pessoas ou constranger-me. Tenho uma vida serena, simples, como a vida de um professor em tempo integral. Ao longo da caminhada, tive a honra de ver e sentir que muitos me seguiram, ajudando-me a servir à comunidade que me acolheu generosamente. A todos, eu hei de ser sempre grato.

Com o apoio decisivo dos meus colegas de trabalho em diversos escalões da hierarquia administrativa, na UFS, e com a colaboração de pessoas externas, a exemplo de autoridades governamentais, no âmbito dos três Poderes, tenho conseguido êxitos na caminhada gerencial. Mesmo nesses últimos anos de crise política, econômica e moral que se abateu sobre o país, não desisti de lutar, de buscar meios para tocar a vida universitária. Não tem sido fácil. A partir de uma gestão participativa, a UFS vem conseguindo equilibrar-se, otimizando gastos no custeio e nos investimentos.

Não tem faltado à UFS o apoio, quando é preciso, do governo estadual, como ocorreu, explicitamente, no caso da abertura do Campus do Sertão, bem como de vários parlamentares federais – senadores e deputados – que, sensibilizados com as carências da Universidade, e que, em última análise, são carências da própria sociedade sergipana, representada na UFS por cerca de trinta mil estudantes, além dos trabalhadores – professores, técnico-administrativos e terceirizados – que convivem em nossos Campi, no dia a dia, não têm medido esforços para ajudar, quer conseguindo liberar recursos do Orçamento Geral da União, especialmente do MEC, quer consignando recursos por meio de emendas parlamentares. A todas essas pessoas, o meu agradecimento já foi registrado em algumas oportunidades, nos artigos que publiquei no Jornal da Cidade, e que continuarei a publicar, quando for preciso, e o espaço me for facultado.

No momento, graças ao trabalho diuturno dos colaboradores, que, com reconhecida competência, comigo dividem os fardos da gestão, e graças aos recursos recebidos com a ajuda de representantes sergipanos no Parlamento Nacional, que atuam em diversas agremiações políticas, muitas obras estão sendo concluídas ou em fase de conclusão para os próximos dias ou meses. Somente entre 2016 e 2018, ou seja, neste segundo mandato como reitor, os investimentos em obras somam R$ 59.030.096,02, com áreas construídas de 97.662,85m². Nesse período, já são vinte (20) obras em termos de construções, reformas significativas ou ampliações. E tudo isso nos diversos Campi da UFS.

Apenas para ilustrar, dentre as obras merecem destaque as seguintes: conclusão da Didática VII, edifício com seis pavimentos e área de 11.295,94m²; construção da moderníssima pista de atletismo com área de 6.300,00m²; reforma da Praça do Campus/sede e construção do Memorial da Democracia com área de 17.900,00m²; reforma do prédio de Engenharia Civil com área de 1.194,09m²; reforma do prédio do Centro de Ciências Biológicas e da Saúde, no Hospital Universitário; implantação do grupo gerador e reforma elétrica do Campus de Itabaiana com área de 19.000,00m²; Centro de Imagem do Hospital Universitário; reforma e acessibilidade do Campus de Itabaiana com área de 20.621,63m²; cercamento do Campus de Lagarto com área de 4.066,00m²; reforma e ampliação das instalações elétricas do Campus Rural; reforma e conclusão do Anexo Hospitalar do HU com área de 2.681,56m²; construção do Centro de Simulações e Práticas do Campus de Lagarto com área de 9.922,74m²; reforma do Campus do Sertão; infraestrutura para instalação de 38 módulos para atender ao Departamento de Letras/Libras com área de 1.022,40m².

Devo registrar a minha gratidão, em nome da UFS, a quem tem emprestado o seu apoio para que essas obras possam ser concluídas, como, realmente, estão sendo. Críticas, eu as recebo, mas, de quem tem dignidade para manifestá-las e de quem as manifesta de forma ética. Do mesmo modo, recebo e sou grato a quem reconhece o trabalho desenvolvido, e a quem se solidariza comigo, como está ocorrendo no decorrer desses últimos dias. Sou grato a todos. Porém, não permitirei que assaquem contra a minha honra. A vida limpa que eu construí ninguém jogará na lama. O destempero de ninguém mudará o rumo da minha vida e do meu trabalho.

Os homens e as instituições devem estar sempre a serviço da vida. E a vida deve servir como processo de aperfeiçoamento.

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