Dois fatos desconexos e absurdos

24/06/2018 18:00:41 por Eugênio Nascimento em Coluna José Lima

José Lima Santana - é padre, professor da UFS e advogado

Nos últimos dias, dentre tantos fatos acontecidos, ocorreram dois bem díspares, totalmente sem conexão um com o outro, mas, ambos estupidamente absurdos. Um deu- se na Rússia, que sedia a Copa do Mundo. O outro se deu aqui mesmo, nas terras de Serigy.

O primeiro, o da Rússia, tratou-se de um fato indigno de homens de bem, quando alguns marmanjos brasileiros fazendo uso de uma “musiquinha” sacana, machista, do tipo porcaria para os bons ouvidos masculinos ou femininos, levaram mulheres estrangeiras a repetirem palavras na língua portuguesa, que elas não sabiam nem compreendiam, indigestas para as mães, irmãs, avós, tias, primas, esposas, noivas, namoradas, filhas ou amigas dos tais marmanjos. Mas, eles não se deram conta disso. Um deles é oficial da Polícia Militar de um dos nossos estados; outro era (já foi afastado) empregado de uma grande Companhia aérea do país; outro é advogado, e a OAB Seccional do seu estado já se manifestou, repudiando o comportamento vil do que se diz causídico, enquanto outro é engenheiro. Disseram setores da imprensa que outros vídeos, além do que envolve esses tais, foram virilizados. Uma pena! Tudo isso é lamentável. O advogado de um deles adiantou-se em dizer que o sujeito é um bom homem e que teria agido num momento de extravasamento. Extravasou o quê? O que têm em mente sujeitos como esses? Um famoso apresentador televisivo saiu-se com essa: “Eles podem ser bons homens, mas a atitude deles foi de machos”. Ora, homens são machos, em tese. Mas, nem todo macho é homem. Alguns não passam de moleques.

Que coisa chata! Antipática. Aberrante. E, ainda por cima, ajuda a macular o nome já tão maculado do país. Já não chegam os tipos encastelados na vida política que envergonham o Brasil e os brasileiros de bem? Já não bastam as safadezas dos malversadores do dinheiro público, que se acham em quase todos os partidos políticos com representação nos Poderes Legislativo e Executivo, e nos três âmbitos da Federação? Já não chegam as dezenas de milhares de mortes anuais, como se vivêssemos numa guerra civil? Já não chegam...? Já não chegam...? Já não chegam...?

Algum leitor ou alguma leitora poderá dizer: “Ah, mas esse fato é tão desimportante diante dos casos graves que assolam o país!”. Ledo engano! Há gravidades no fato. Porém, seguramente, a maior delas é exatamente a exposição banal de mulheres inocentes, que, provavelmente, diante de tantos turistas que acorreram ao país da Copa, estariam se divertindo, como é tão comum em grandes eventos, estariam tentando ser gentis e acabaram sendo vilipendiadas de forma ridícula. Isso é, sim, muito grave. Não vale jogar lixo sob o tapete. Nem tentar tapar o sol com uma peneira.

Que a Seleção brasileira não tenha, nesta Copa do Mundo, uma atuação ridícula como a desses sujeitos, como a desses imbecis.

O outro fato ao qual me reportei lá em cima, o que transcorreu por aqui mesmo, /no nosso Sergipe tão carente de ajustes, refere-se a uma falsa notícia de que um famoso espírita kardecista da Bahia teria psicografado uma carta do governador Marcelo Déda. Fato desmentido. Ora, quem teve a baixeza de divulgar tal fato inverídico? Qual o propósito de quem o fez? Por que agir dessa maneira? Esperava algum ganho político com isso? Com a inverdade? Com a invocação do nome de uma pessoa falecida, que deve ser deixada em paz, assim como também em paz devem ser deixados os seus familiares. Essa foi uma atitude tresloucada. O mundo da política já está tão sujo! Precisa de mais sujeira? Decerto que não.

Lamentável sob todos os aspectos. Há políticos de vários segmentos partidários que estão sempre invocando o nome do governador Marcelo Déda. É como se cada um quisesse puxar para si um pedaço do seu espólio político. Com qual direito? Quem tem esse direito? Talvez o seu partido, o partido ao qual ele era filiado, o tenha. Talvez. Eu digo talvez porque os partidos não pertencem às pessoas, e, muito menos, as pessoas pertencem aos partidos. Todavia, com certeza, o espólio político do governador, que muito cedo nos deixou, pertence à sua família, e, mais de perto, a quem, dentre os seus familiares, tenha a bravura de avocar a si esse espólio, para com dignidade levá-lo avante. Aliás, parece que isso já está sendo feito pela viúva de Déda, e atual vice- prefeita de Aracaju, Eliane Aquino. É óbvio que outros familiares poderão fazê-lo também. Nada obsta. Deixemos, pois, que a família cuide disso como melhor lhe aprouver.

Quanto a quem fez divulgar o fato mentiroso da tal carta psicografada, que tenha juízo. Que tenha vergonha na cara. Que procure trilhar o seu caminho, se é que tem um a trilhar.

Peço desculpas aos leitores se mudei completamente o rumo dos meus escritos neste fim de semana. Não lhes trouxe nenhum “causo” ou conto provinciano, como eu gosto de chamar os meus simplórios escritos, publicados no JORNAL DA CIDADE e republicados no site Click Sergipe, no blog Primeira Mão e na minha página do Facebook. É que, calado, eu não suportei a divulgação dos dois fatos mencionados. Não deu para suportar.


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