Campus do Sertão e impulso desenvolvimentista

17/09/2018 09:07:40 por Kleber Santos em Colunas
Angelo Roberto Antoniolli
Reitor da UFS

A luta da Universidade Federal de Sergipe para a instalação e a consolidação do Campus do Sertão, todo ele voltado para cursos nas áreas agropecuária e agroindustrial, tem como razão maior de ser a consciência de que o desenvolvimento e o progresso de uma região começam com o processo educacional. Não é admissível que, na segunda década do século XXI uma região tão sofrida como a sertaneja ainda passe por percalços que a afligem desde os tempos remotos. 

A região sertaneja sergipana não deve ser condenada a continuar presa ao subdesenvolvimento, quando a sua população é trabalhadora, corajosa e esperançosa de que os tempos e as situações mudem para melhor. A região, como todos sabem, destaca-se não apenas na produção de cereais, mas, também, na produção de carne, leite e seus derivados, com rebanhos que se afirmam dentre os maiores e melhores do estado: bovinos, caprinos e ovinos, notadamente.

O Campus do Sertão não é mais um sonho. É, sim, uma realidade, mas, que precisa de consolidação. Para tanto, a EMBRAPA nos cedeu, por 20 anos, uma área de terra de 70 hectares, dentro de sua fazenda experimental situada entre os municípios de Nossa Senhora da Glória e Feira Nova. Ali deverá ser construído o referido Campus, que, por ora, funciona provisoriamente na cidade de Glória. 

Professores qualificados e alunos animados, que, na sua maioria, têm origem na própria região, aguardam, ansiosos e confiantes, por gestões de quem nos possa ajudar a conseguir a liberação de recursos federais para a implementação das primeiras obras, que dizem respeito à parte de infraestrutura, como pavimentação da área a ser edificada, iluminação, rede de esgotamento sanitário, rede de escoamento de águas pluviais etc. A partir dessa infraestrutura, no segundo momento, virão as obras dos prédios administrativos, didáticos e técnicos (laboratórios, matadouro modelo etc.). 

A população de todo o sertão-norte de Sergipe precisa dos efeitos da educação superior ali inserida, a fim de concorrer para o aprimoramento das práticas utilizadas no manejo do solo, para incrementar a produtividade das lavouras ali cultivadas, na otimização dos rebanhos e no aprimoramento da indústria rural tão presente em alguns municípios. 

A sociedade sertaneja terá a sua face mudada. Até mesmo questões urbanísticas e ambientais passarão a ser tratadas de forma mais eficiente. Um Campus Universitário é um ganho ímpar para qualquer localidade. E quando tal Campus é voltado para as vocações produtivas locais, o ganho é ainda mais alentado. Os profissionais formados no Campus do Sertão, originários dali mesmo, serão os semeadores de um novo tempo, empregando as técnicas aprendidas para mudar definitivamente a face de uma região que precisa espancar de uma vez por todas a miséria que ainda rondam muitas famílias e minorar a pobreza, que ainda é gritante em muitos casos. Filhos da terra bem formados para formarem uma nova terra. 

O que nos falta, concretamente? Recursos financeiros. De onde eles poderão vir? Unicamente do orçamento da União. E quem nos poderá ajudar? Os nossos parlamentares federais, alguns dos quais já têm nos ajudado de forma reconhecidamente extraordinária em várias das nossas atividades. 

Para as obras de infraestrutura acima mencionadas, os recursos necessários giram em torno de R$ 8.000.000,00 (oito milhões de reais), a serem desembolsados paulatinamente. Porém, será preciso que os desembolsos tenham início ainda este ano, considerando-se as dificuldades para iniciar uma obra dessa importância no início do próximo ano, ou seja, no início de um novo governo. Iniciando-se agora, a sequência ficará muito mais fácil. E o sertão já esperou demais. 

Este é o momento para algum dos nossos parlamentares federais, deputado ou senador (a) tomar a dianteira e, assim, apadrinhar estas obras, que se constituirão no pilar para a arrancada da consolidação do Campus do Sertão e, por conseguinte, do próprio processo de desenvolvimento e progresso do sertão sergipano. 

A Universidade Federal de Sergipe completou 50 anos, devidamente integrada à sociedade sergipana e a sua história. A arrancada desenvolvimentista do nosso estado teve suas bases muito mais fincadas a partir da instalação da UFS, em 1968, comprovando-se, sobejamente, o quanto é importante e valioso o processo educacional para levar adiante as aspirações do povo e para atender as suas vitais necessidades. 

Haveremos de, em nome dos nossos professores, técnico-administrativos e alunos do Campus do Sertão, mas, também, de toda a população sertaneja, das autoridades e lideranças políticas, econômicas e comunitários de toda aquela região, bater às portas dos nossos representantes no Senado e na Câmara dos Deputados. Tais portas jamais se fecharam para a Universidade Federal de Sergipe. E temos convicção de que, no mínimo, uma delas, agora, nós a encontraremos aberta. 

O Campus do Sertão da UFS será, sem dúvida, o motor propulsor das mudanças sociais e econômicas que o povo sertanejo tanto espera, quanto merece. Lutaremos. E temos convicção de que a nossa luta não será em vão. 

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