Os melhores filmes de todos os tempos

31/12/2011 15:46:39 por Eugênio Nascimento em Variedades
Diogo Cysne - Crítico e Diretor Amador de Cinema

 

Semanas atrás, escrevi artigo sobre a minha lista dos melhores filmes de 2012. No espaço de hoje, eu pretendo apresentar os meus dez melhores filmes de todos os tempos. Esses são os grandes filmes que muito mexeram com minha imaginação e que mais me marcaram. São obras definitivas do cinema, cujas influências transcenderam os limites da grande tela e passaram a modelar a própria cultura humana. A seguir, eis os títulos que merecem o rótulo de “obrigatórios para qualquer ser humano”.

 

Réquiem para um Sonho, de Darren Aronosfky. Uma descida ao inferno. Longe do didatismo raso ou do romantismo idealista da maioria dos filmes antidrogas, este aqui atira ao espectador a realidade na sua forma mais aterradora. A história dos protagonistas é uma lenta e exasperante marcha à ruína. O seu desfecho provoca pena e horror na platéia, mas deixa a certeza de que a mensagem foi bem entregue. É um filme que encontra sua beleza na brutalidade.

 

Adeus, Lênin!,  de Wolfgang Becker. A maior de todas as jóias européias é este filme que possui uma grandeza inversamente proporcional à sua ambição: do início ao fim é uma obra humilde, delicada e belíssima. As críticas se dividem igualmente entre a farsa do comunismo e a estupidez do capitalismo, mas o que o define é o retrato lindo do amor de um jovem e sua mãe, bem como de seu esforço sobre-humano para protegê-la do mundo em mudança.

 

Três Homens em Conflito, de Sergio Leone. O faroeste supremo e uma sátira de si mesmo. Essa grande ironia vem do mestre que moldou o gênero e que inspirou uma infinidade de lendas, de Eastwood a Tarantino. Sergio Leone fez desse filme um épico com tons de paródia, misturando com perfeição o humor (do tipo de um filme que não se leva a sério) com a macheza brutal do Velho Oeste. O resultado final é o melhor filme de seu currículo, acompanhado, de quebra, da melhor trilha sonora que Ennio Morricone já compôs.

 

Laranja Mecânica, de Stanley Kubrick. A brutalidade humana é desnudada nesse épico do humor negro. Talvez um dos filmes mais polêmicos, cruéis e reflexivos de todos os tempos. No auge de sua liberdade criativa, Kubrick compõe um mundo cínico, distópico, repleto de ironia e arte, no qual atos da mais bestial violência são orquestrados ao som de Beethoven, tudo sob os olhos de um governo imensamente corrupto – mas assustadoramente real.

 

Apocalypse Now, de Francis Ford Coppola.  A Guerra do Vietnã foi um dos conflitos que mais impactaram o mundo do cinema. Por volta dos anos 1970 e 1980, quase todo grande cineasta tinha sua própria visão do conflito: Stanley Kubrick (“Nascido para Matar”), Oliver Stone (“Platoon” & “Nascido em 4 de Julho”) e até mesmo o caído em desgraça Michael Cimino (“O Franco Atirador”). De todos estes, porém, Coppola sai vitorioso com seu imortal “Apocalypse Now”, que elevou o retrato de uma guerra a patamares além da arte. Coppola se comunica com a mente humana à medida que o conflito se torna cada vez mais surreal. Uma guerra insensata, provocada pela e provocadora da insanidade humana. A cena dos helicópteros voando e matando inocentes ao som de “A Marcha das Valquírias” será, para sempre, a cena mais poderosa da história do cinema – e a única digna do adjetivo “perfeita”.

 

2001: Uma Odisséia no Espaço, de Stanley Kubrick. Foi “simplesmente” o filme que consolidou ficção científica como um gênero sério do cinema. Sua influência se estende através do tempo e se entranhou na cultura popular de maneira que muitos de nós nem percebemos (mesmo quem não viu o filme já viu algum tipo de paródia de suas cenas). Essa monumental criação de Kubrick, com quase nenhum diálogo e visuais perfeitos, permanece como o filme de ficção científica mais estudada de todos os tempos. Com justiça.

 

Boogie Nights: Prazer sem Limites, de Paul Thomas Anderson. A decadência do ser humano narrada nos bastidores do cinema pornô. P. T. Anderson, polêmico e magistral, transforma esta premissa bizarra uma angustiante jornada, no melhor estilo “ascensão e queda”. Mais impressionante é apenas o retrato de cada um dos personagens, que não são seres sem moral nem pervertidos sedentos por sexo, mas trabalhadores comuns tentando ganhar o pão de cada dia. A indústria erótica se transforma em um trabalho como qualquer outro! Não há maior exemplo de relativização e de quebra de barreiras.

 

Crepúsculo dos Deuses, de Billy Wilder. O filme que com mais sucesso desnudou a podridão hollywoodiana foi aquele que se tornou um dos maiores de todos. Billy Wilder revolucionou o modo de se fazer cinema ao adotar um estilo de roteiro e direção que superam, em termos de agilidade e técnica, a maioria dos filmes produzidos atualmente (esse filme foi lançado em 1950). Dotada de um humor negro sem paralelos, essa grande tragicomédia acompanha os passos decadentes da ex-estrela de cinema Norma Desmond e do infortunado roteirista Joe Gillis, e revela o que Hollywood por tanto tempo conseguiu esconder: o mundo de glamour, brilho e sucesso é apenas uma fase passageira desta indústria cruel. Por trás dela, estão o fracasso, a humilhação e a miséria – não material, mas psicológica – do ser humano.

 

Cidadão Kane, de Orson Welles. O filme que redefiniu o cinema. Sem sombra de dúvida, é a obra mais estudada, analisada e discutida de toda a sétima arte, com um impacto cultural que não pode sequer ser calculado. Este filme inventou um sem-número de técnicas que só seriam novamente dominadas décadas depois. Sua câmera e fotografia ainda são desafios para os cineastas mais experientes. Sua história, inspirada no magnata das comunicações William Randolph Hearst, permanece instigante e desafiadora. Essa foi a obra de estréia de Orson Welles. A primeira de muitos clássicos imortais – e a maior de todos eles.

 

O Poderoso Chefão, de Francis Ford Coppola. Muitos tentaram, mas apenas “O Poderoso Chefão” alcançou a perfeição. Ele é poesia do início ao fim: uma tragédia shakespeariana narrada nas profundezas da máfia nova-iorquina. Marlon Brando, Al Pacino, Robert Duvall e Diane Keaton encontraram seus papéis definitivos nessa que seria a obra mais icônica do cinema norte-americano. Muitos ótimos filmes possuem cenas clássicas. “O Poderoso Chefão” possui dezenas, uma atrás da outra! Isso acontece na apresentação de Don Corleone, na festa de casamento, no atentado contra sua vida, no primeiro assassinato de seu filho Michael, no exílio na Sicília, no tiroteio do pedágio, na cena do batismo ou na morte em um laranjal. Cada segundo deste filme, cada centímetro de sua película é uma preciosidade irretocável de valor artístico além de qualquer compreensão. Um filme impossível de ser melhorado, superado ou sequer igualado. O topo do cinema.

Deixe um comentário

Seu nome (Necessário)
Seu E-mail (Necessário - Não será exibido)
Seu comentário
Código da imagem:

Enquete


Categorias

Arquivos