As manifestações e os discursos vazios nas ruas

24/06/2013 05:37:23 por Eugênio Nascimento em Política

Quem quiser pode avaliar como bem desejar. É assim como eu vejo essas manifestações de ruas dos últimos 10 ou 15 dias no Brasil. Um amontoado de gente que não sabe o que  reivindicar, não sabe o que dizer e que por isso a  mídia e os políticos, que seriam os principais alvos dos jovens brasileiros, dizem  o que quer sobre o tema e os manifestantes absorvem esses discursos manipulados e adotam como seus.


Esses atos são por melhoria da saúde, da educação, segurança pública e contra a corrupção e político ladrão. Isso no conceito dos meninos da classe média, sem militância política, que repudiam a política e os políticos e, em muitos dos casos, têm pais que fazem “jogo  
político” para lhes garantir a ida e volta da escola, shopping e outras coisas mais dentro de um taxi ou em um dos carros da família.



O discurso da elevada tarifa do transporte coletivo caiu no ralo do esgoto. Era a bandeira original dos meninos pobres e que tinham alguma militância. Os jovens da classe média assumiram o comando de tudo e aí as manifestantes passaram a ser também contra o 
aborto e outras coisas mais. E esse discurso também caiu no ralo do esgoto, mas encontrou  na mídia uma importância muito grande e estranha.



Os manifestantes querem acabar com os partidos políticos e os políticos concordam. Todos eles (os políticos) dizem estar aprendendo a lição das ruas e prometem, mentirosamente, 
adotar uma certa “mudança de hábito” para se renovarem. Na verdade, ninguém está entendendo nada do que está acontecendo, está todo mundo assustado, inclusive a polícia, que irritada de tanto trabalhar não deve estar gostando de dar somente “tirinhos” de bala de borracha e receber pedradas.


Os comentários que se ouve e se lê  parecem ser corretos em relação ao que acontece. Em  outras palavras, os comentaristas, assim como ‘nosotros’,  falam as besteiras que desejam e tentam induzir as pessoas a entenderem que o que dizem é a mais absoluta verdade. O movimento não tem uma pauta de reivindicação (apenas um pedaço de cartolina ou papelão mostrando palavras à-toa)e a maioria dos participantes não sabem sequer o que é isso. Por esse motivo, não existe o que conversar, o que negociar.



Mas ainda assim, essas caminhadas e esses enfrentamentos com a polícia valeram a pena. Valeram a pena por que os jovens demonstraram capacidade de mobilização (embora precisem 
definir o que reivindicar) e colocaram o país em alerta, mostrando que têm força e coragem, ainda que mal direcionadas.

Comentários (2)

cleber moura em 24/06/2013 às 09:06h
Ótima matéria,parabéns.
LEALDO em 24/06/2013 às 14:54h
Uma análise, lúcida e muito interessante.

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