A economia de Sergipe nos anos oitenta, 1ª parte

24/06/2013 22:24:42 por Kleber Santos em Coluna Ricardo Lacerda
Ricardo Lacerda

Se a evolução da economia de Sergipe nos anos setenta ficou marcada pela expansão da exploração do petróleo e pela modernização e diversificação do parque industrial incentivado pela SUDENE, os anos oitenta se caracterizaram por uma transformação mais profunda de sua estrutura industrial, com a implantação de uma cadeia produtiva mínero-química. A exploração da base de recursos minerais, luta histórica do povo sergipano, teve impactos notáveis sobre o crescimento do PIB e do nível de renda.  

Do ponto de vista da expansão urbana, enquanto os anos setenta foram marcados pelo crescimento acelerado de Aracaju e da intensa migração do campo para os centros urbanos em todo o estado, os anos oitenta registram a metropolização da capital, incorporando os municípios de Nossa Senhora do Socorro e São Cristóvão à sua dinâmica de expansão. 

Pólo mínero-químico

Grandes projetos industriais nos segmentos de gás natural e fertilizantes, implantados pelo Sistema Petrobras, mudaram a face e a dinâmica da economia sergipana daí por diante. Previstos no âmbito do II Plano Nacional de Desenvolvimento (1974-1978) do Governo Geisel, como parte da estratégia para reduzir a forte dependência externa de insumos básicos, seguidos atrasos fizeram com que somente entrassem em operação na década seguinte. 

Em 1981, a Petrobras pôs em funcionamento a Unidade de Produção de Gás Natural (UPGN) no Terminal Marítimo de Carmópolis – TECARMO, na Atalaia.  O fornecimento de gás natural viabilizou, por sua vez, a implantação, em 1982, da Nitrofértil, , hoje Fafen, dedicada à produção de amônia e uréia.   

A implantação de um projeto com a dimensão e características da Nitrofértil causou fortes impactos em Sergipe que contava, até então, com uma base produtiva ainda relativamente acanhada, mesmo considerando a diversificação conhecida nos anos setenta. Para a instalação da unidade foi necessária a construção da adutora do São Francisco, a fim de equacionar a demanda de água do empreendimento, mas que passaria a suprir também as necessidades crescentes de Aracaju .  

A instalação da Nitrofértil também exigiu a ampliação da rede de energia elétrica e a revitalização da ferrovia de ligação com a Bahia, assim como foi fundamental para viabilizar a implantação, anos mais tarde, do Terminal Portuário Ignácio Barbosa, no município da Barra dos Coqueiros.

Em 1986, a então Petrobras Mineração S/A (Petromisa) finalmente começou a operar a unidade da mina Taquari- Vassouras de extração e beneficiamento da silvinita para a produção de potássio, projeto cuja implantação começara ainda em 1979. Com a produção comercial iniciada em 1987, Sergipe passava a contar, de fato, com a 1ª unidade de produção potássio do hemisfério sul e que permanece, até os dias de hoje, explorada sob contrato de leasing pela Vale, como a única planta de produção do nutriente instalada no Brasil. 

Urbanização

O crescimento populacional de Aracaju, acelerado nas décadas de sessenta e setenta, assume nova face nos anos oitenta, transbordando em direção aos municípios vizinhos. Depois de aumentar 61%, entre 1960 e 1970, e 60% nos anos setenta, a população da capital passa a se expandir em ritmo mais lento a partir da década de oitenta, enquanto o número de habitantes dos demais municípios da área metropolitana, em conjunto, mais do que dobrou entre 1980 e 1991 (ver Gráfico).

O grande destaque foi o município de Nossa Senhora do Socorro que, com a implantação dos conjuntos habitacionais, saltou de 13.688 habitantes, em 1980, para 67.574 habitantes no censo demográfico seguinte, em 1991. São Cristóvão, cuja população se mantivera praticamente estagnada nos anos sessenta e apresentara crescimento populacional de apenas 18% nos anos setenta, quase dobrou a sua população entre 1980 e 1991, passando de 24.134 habitantes para 45.558.

A implantação dos grandes projetos de exploração da base de recursos minerais concorreu para acentuar a concentração populacional em Aracaju e no seu entorno. Foi responsável também por atenuar os impactos locais da crise do endividamento externo da economia brasileira, mas, na segunda metade da década, o ciclo de transformação estrutura da economia sergipana é interrompido pelo agravamento da situação financeira nacional.

*Professor do Departamento de Economia da UFS e Assessor Econômico do Governo de Sergipe
Artigos anteriores estão postados em http://cenariosdesenvolvimento.blogspot.com/

Deixe um comentário

Seu nome (Necessário)
Seu E-mail (Necessário - Não será exibido)
Seu comentário
Código da imagem:

Enquete


Categorias

Arquivos