A Taxa de desocupação da economia brasileira

28/02/2011 20:44:06 por Eugênio Nascimento em Economia


Ricardo Lacerda


A taxa de desocupação nas regiões metropolitanas brasileiras se situou em 6,1% em janeiro de 2011, extraordinariamente baixa para um mês tradicionalmente ruim para o mercado de trabalho. Recorrentemente, a imprensa tem noticiado a escassez de mão de obra em atividades da construção civil, da indústria de transformação e, mais recentemente, para o trabalho doméstico nas grandes metrópoles, como Rio de Janeiro e São Paulo.

 

Desde quando foi anunciado o resultado de dezembro de 2010, de 5,3%, a menor taxa de desocupação desde o inicio do registro estatístico, que alguns especialistas têm afirmado que a economia brasileira alcançou o pleno emprego do fator trabalho. Tal assertiva decorre, em parte, da associação que se faz entre a taxa de desemprego de 5% com a noção de pleno emprego, posto que resta sempre um contingente de pessoas desocupadas que está saindo de uma ocupação, antes de encontrar outra. Para alguns analistas, o pleno emprego teria sido alcançado na economia brasileira no sentido de que, para um grande e expressivo grupo de ocupações, não estão disponíveis pessoas com o perfil de qualificação para preencher as vagas.

 

Portanto, pleno emprego não significa que todos aqueles que procuram trabalho estejam ocupados, e sim que uma parcela muito expressiva da força de trabalho está ocupada e que a desocupação persistente, não devo usar residual, decorre de fatores como tempo de rotação entre uma ocupação e outra, ou desproporções do perfil de qualificação ou na estrutura setorial da demanda e da oferta de trabalho, de modo que incrementos adicionais da demanda por trabalho se traduzirão mais em elevação dos rendimentos do que em novas oportunidades de ocupação.

 

 


Queda da desocupação

 

 

A queda da taxa de desocupação na economia brasileira tem sido, de fato, notável. Em janeiro de 2003, a taxa de desocupação nas regiões metropolitanas pesquisadas pelo IBGE havia alcançado 11,2%, frente aos atuais 6,1%.

 

Não há dúvida de que o mercado de trabalho brasileiro se encontra aquecido, o que inclusive tem proporcionado ganhos reais nos rendimentos em uma série de ocupações, mas, mesmo nesse sentido elástico, há que se considerar as diferenças regionais nas taxas de desocupação.
 
 

Regiões
 
 

A taxa de desocupação é calculada para seis regiões metropolitanas brasileiras: Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre. Essencialmente por conta de um excedente de mão de obra, acumulado ao longo da história e que a expansão do setor moderno no pós-guerra não logrou absorver, a taxa de desocupação é estruturalmente mais elevada nas regiões metropolitanas do Nordeste, do que naquelas situadas nas regiões Sudeste e Sul. Este é o padrão geral, somente não observado quando crises agudas atacam intensamente o mercado de trabalho mais estruturado do centro dinâmico da economia brasileira, isto é, o da região Metropolitana de São Paulo. A menor taxa de desocupação em janeiro de 2011 foi registrada na Região Metropolitana de Porto Alegre, 4,2%, seguida, pelo Rio de Janeiro, 5,1%, Belo Horizonte (5,3%) e São Paulo (6,0%).

 

Em janeiro de 2011, a taxa de desocupação nas regiões metropolitanas de Recife e Salvador eram, respectivamente, de 7,1% e 10,7%, também as mais baixas da série histórica. Em janeiro de 2006 as taxas de desocupação daquelas regiões metropolitanas haviam alcançado, respectivamente, 15,3% e 14,9%.

  

As taxas de desocupação são mais elevadas para os jovens do que para pessoas com mais experiência, apontando a urgência de expandir os cursos de capacitação profissional.

 

Se fatos extraordinários, como a crise política do mundo árabe ou a deterioração da situação fiscal em nações europeias, não trouxerem efeitos muitos negativos para a economia mundial, o mercado de trabalho brasileiro deve seguir aquecido em 2011, com novas reduções na taxa de desocupação, mesmo que em ritmo menos acelerado. Vamos torcer para que nada atrapalhe esse momento especial do mercado de trabalho no Brasil.

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