Alto Sertão pede apoio do Legislativo para implementação de campus da UFS na região

28/02/2011 21:50:06 por Eugênio Nascimento em Economia

A Assembleia Legislativa recebeu na tarde de hoje, 28, o engenheiro florestal Fábio Andrey, integrante do movimento Coletivo de Juventude do Alto Sertão, que fez uma palestra defendendo a expansão da Universidade Federal de Sergipe (UFS) para o alto sertão sergipano. A extensão universitária para a região é uma reivindicação antiga dos sertanejos, que além de enfrentarem os desafios impostos pelo clima semi-árido não contam com cursos superiores. A presença de Fábio Andrey atendeu ao requerimento dos deputados estaduais Ana Lúcia (PT) e João Daniel (PT).

A mobilização para extensão da UFS para o alto sertão compreende os municípios de Canindé do São Francisco, Poço Redondo, Nossa Senhora da Glória, Porto da Folha, Gararu, Nossa Senhora de Lourdes e Monte Alegre. Um dos principais pontos para a instalação de um ensino superior na região é diminuir o êxodo rural, melhorar as condições sociais, culturais, políticas e econômicas da sociedade local e diminuir a evasão escolar.


Fábio Andrey esclareceu que o Alto Sertão compreende a maior extensão territorial do Estado, com 23% de ocupação e com população aproximada de 137 mil habitantes. Os municípios que formam a região possuem o pior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de Sergipe, sendo que o setor industrial representa 72% de tudo que é produzido no Estado. Este fato se justifica pela Usina Hidrelétrica do Xingó. O Alto Sertão é o ocupa primeiro lugar na produção de leite e segundo em grãos do Estado. Além de ser um importante pólo turístico.


Caatinga


O palestrante explicou que o bioma da região é a Caatinga, que tem características específicas por apresentar um solo fértil. Em 80% dos municípios sertanejos, não há médicos ou profissionais especializados, já que eles não residem onde atendem a população. A exceção é a educação, que participaram de um programa desenvolvido pelo Estado em parceria com a UFS de qualificação. “Os profissionais de fora não constroem um vínculo com a região onde trabalham. Apenas 1,5% das pessoas que residem no sertão têm acesso ao nível superior, devido à baixa renda dos trabalhadores do campo”, explicou Fábio Andrey.



Durante muito tempo, a economia do sertão só ficou focada na pecuária extensiva e na monocultura, principalmente a de algodão, o que causou êxodo rural, pois cada vez mais pessoas procuravam sair de suas terras para procurar oportunidade na capital. Em Sergipe, o Alto Sertão é marcado pela agricultura familiar e existem 201 áreas de assentamentos de reforma agrária, sendo que 46% dessas famílias residem e moram na região.


“A UFS tem que atender ao tripé: oferecer ensino gratuito para formação de profissionais, pesquisa de novas tecnologias que auxiliam a região e cursos de extensão que envolvem a comunidade”, defendeu Fábio Andrey, que lamentou o fato de que os campi da UFS se concentram em municípios próximos a Aracaju. Ou seja, apesar da interiorização do ensino superior, o acesso aos cursos continua difícil para quem mora distante da capital.


De acordo com dados apresentados pelo palestrante, no ano passado 1.652 alunos estavam aptos para fazerem vestibular, sem levar em conta os que já haviam concluído o ensino médio em anos anteriores. Ainda segundo Fábio Andrey, o interesse dos estudantes em ingressarem na UFS é exemplificado pela procura de jovens por uma vaga no curso de pré-vestibular gratuito da região, que não atende à demanda. São 100 vagas e a procura chegou a 600 estudantes.



“Existe uma grande mobilização de vários setores do Estado em atenderem à nossa reivindicação para instalação de um pólo da UFS na região, além de contarmos com apoio de prefeitos e de segmentos formadores de opinião e estudantis. Assim, esperamos contar com a apoio também dos deputados estaduais e federais de Sergipe para que isto se torne realidade”, espera Fábio Andrey.


Deputados estaduais


O deputado estadual Antônio dos Santos (PSC) disse que há a necessidade de um pólo universitário no Alto Sertão para dar melhor condição para o sertanejo e que espera que a presidente do Brasil Dilma Rousseff não meça esforços para atender a estas reivindicações. “Nenhum deputado estadual vai se furtar ao apoio para que isso se torne uma realidade muito em breve. O sertão precisa de um ensino superior”, pontuou Antônio dos Santos.


O líder da bancada de oposição na Assembleia Legislativa, deputado estadual Venâncio Fonseca (PP), apoiou a luta dos estudantes do Alto Sertão, mas ressaltou que a é preciso ser realista quando o assunto é a educação. “Vamos pisar no chão. O governo do Estado primeiro tem que fazer a parte dele. Ou seja, precisa fazer uma pesquisa para quantificar a necessidade de professores nas salas de aula. Se há deficiência nesta área, isto vai causar deficiência ainda maior para o estudante competir em um Vestibular. O Estado tem que fazer urgentemente a parte dele porque está prejudicando toda uma juventude. Tem alunos que passaram no Vestibular da UFS e que até hoje não concluíram o segundo grau na rede estadual. Eu quero me somar a esta mobilização, mas não posso deixar de registrar minha preocupação com a situação da educação que se encontra atualmente o nosso Estado. O governo tem que assumir a responsabilidade e melhorar a situação do ensino, porque o que estamos vendo não é bom”, ressaltou Venâncio Fonseca.


Fábio Andrey concordou com o deputado estadual Venâncio Fonseca e apontou que muitos estudantes têm dificuldades de deslocamento para chegarem às escolas e que este é um problema grave que se arrasta há anos. “De fato é fundamental a educação básica de qualidade. Precisamos garantir que as crianças tenham acesso às escolas para ter uma educação contextualizada e que a criança e o jovem possam se manter dentro de suas realidades”, concordou.


O deputado estadual do PV, Gustinho Ribeiro disse que o sertão é uma região rica e importante do Estado no contexto da agricultura e defendeu a implementação de uma unidade da UFS na região. “Sabemos que a educação é a base do ser humano e a oportunidade de acabar com a vinda de diversos jovens para a capital, que deixam para trás suas famílias e arriscam suas vidas nestas viagens”, disse Gustinho Ribeiro.


O movimento também recebeu apoio dos deputados estaduais Zé Franco (PDT), Maria Mendonça (PSB), Gilson Andrade (PSL), Zezinho Guimarães (PMDB) e João Daniel (PT). A deputada Ana Lúcia esclareceu que a universidade pública vai ajudar a formar profissionais para atuarem na região onde residem e que conhecem a realidade de seus municípios Ana Lúcia adiantou que no dia 21 de março, a Assembleia Legislativa vai receber a visita do reitor da UFS, Josué Modesto que vai debater ainda mais este assunto.


“Esta luta pela escola pública começa na década de 30, com Getúlio Vargas e avança com a chegada dos imigrantes italianos, que queriam ensino gratuito, mas de qualidade. A luta pela universidade não é excludente. A educação precisa da educação infantil, dos ensinos fundamental e médio, até que o estudante chegue à universidade. O Estado pode ajudar a universidade federal, mas a responsabilidade maior pela oferta do ensino superior é da União”, esclareceu Ana Lúcia.


Se a implantação de um campus da UFS para Alto Sertão for aprovado pelo Governo Federal, há grande possibilidade de sua instalação ser em Nossa Senhora da Glória, pela estrutura que este município oferece e por sua localização estratégica. “Temos que promover um ensino superior de qualidade para que possamos buscar desenvolvimento econômico, social e cultural da região. (Da assessoria)


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