Depois do carnaval, a administração de JB já será velha

01/02/2015 16:32:20 por Eugênio Nascimento em Coluna José Lima

 José Lima Santana - Professor do Departamento de Direito da UFS

 

            Eu tenho recusado ir aos Shoppings de Aracaju. Ao menos, por esses dias. Não aguento mais as mesmas conversas, os mesmos assuntos, ou melhor, o mesmo assunto: a administração de Jackson Barreto, que, dizem, ainda não deu o sinal de partida. Continua no “pit stop”. Uns dizem que ele só vai botar a máquina para andar depois da eleição do presidente da Assembleia, que ocorrerá exatamente neste domingo. Se for assim, a partir de segunda-feira, dia 2, o pau quebra. Outros se dizem decepcionados com o secretariado, ou com parte dele. Outros mais acham que JB está perdido nesse que é, sim, o seu próprio mandato governamental. O mandato que ele concluiu não era dele, na origem. Os “analistas políticos” de plantão conjecturam muito.

Como as pessoas botam a boca no mundo! É por isso que eu vou dar um tempo nas idas aos Shoppings da cidade: quando eu encontro um desses “analistas políticos” o papo é o mesmo: JB... JB... JB... E eles, os “analistas”, são muitos. Em cada metro quadrado de qualquer Shopping é possível encontrar uns cinco ou seis. A densidade deles é muito maior do que a densidade da jararaca-ilhoa na ilha Queimada Grande, litoral de São Paulo, que possui um veneno quinze vezes mais potente do que o veneno da jararaca continental. E como tem jararaca-ilhoa naquela ilha... Vôte! Os “analistas” sabem de tudo. Ou inventam de tudo.

            Alguns falam que o segundo escalão está na “maré mansa”, aguardando a eleição de Luciano Bispo para a presidência da Assembleia Legislativa. Depois da eleição, a distribuição dos cargos. É o que se convencionou chamar de “assegurar a governabilidade”. Infelizmente, ou não. O Brasil inteiro está assim, contaminado. O governo federal, os governos estaduais e os governos municipais. Uma “beirinha” para um, uma “beirinha” para outro e assim vai-se levando a vida político-administrativa neste país tão sério. Que Charles De Gaulle não me ouça, ou melhor, não me leia, na sua morada “defuntória”.

            Os “analistas” dizem que o ano não começou bem para Sergipe, mas muitas eram e ainda são as esperanças do povo. Afinal, o ano está apenas começando. Carro velho subindo ladeira, engrenando a pulso. Ora sobe, ora desce. Ora sobe, ora desce. Deus seja louvado! E assim os sergipanos atravessaram janeiro. Ainda bem que não temos os problemas de abastecimento de água, na capital, que São Paulo vem enfrentado há meses. Pelo menos isso. A segurança pública, a saúde e outras áreas do governo estão no “avaluemos”, como se diz por aí. Mas, tem nada não. Estamos somente no comecinho, gente. É preciso ter paciência. Nem sempre as coisas acontecem de fio a pavio, ligeirinho, como a ligeireza de coelhos para fazer filhotes. O papa que o diga. Não! Há coisas que só andam na maciota. É que o povo é apressado. Gosta, pois, de comer cru. Tem que cozinhar, minha gente. O que é isso? Está cedo. Ou não? No geral, o povo é falador. Até parece que todo mundo é “analista político”. Cruz-credo! Gosto disso não. Não mesmo. Eu tenho paciência. Posso não ser outro Jó, aquele da Bíblia, mas sou paciente. Deixo a coisa correr. Só não pode correr frouxa. Aí também já é demais.

            O governador Jackson Barreto precisa, sim, chamar certos feitos à ordem. Tomar medidas. Botar o carro para rodar. Nada de roda presa. Tem que desatravancar isso ou aquilo. Janeiro seria o mês do planejamento geral do governo. Tin-tin por tin-tin. Tudo se arrumando, pois é no sacolejar da carroça que as abóboras se ajeitam, como diz o dito popular. Janeiro se foi. Tem que ajeitar as coisas. A administração. Todos os setores. É o que o povo está esperando. A situação encontrada na educação é vexatória, diante de índices e mais índices que deixam a desejar. A segurança pública está altamente comprometida. A bandidagem age solta. Aracaju está em 39º lugar dentre as cidades mais violentas do mundo, segundo uma ONG mexicana (administradores.com.br). O índice de homicídios (total de 40) por grupo de cada 100 mil habitantes em Sergipe é o 4º maior do Brasil (exame.com). Assaltos, roubos e furtos campeiam ao Deus dará. Na capital e no interior. A saúde está desmantelada. E, tudo isso, depois de oito anos com o mesmo grupo à testa do governo. Logo, tentar jogar a culpa somente nos governos anteriores a esses oito anos, é absoluta vulgaridade, falta de senso administrativo e de tato político. Não dá para tapar o sol com uma peneira. Abrindo um parêntese, o mesmo se diga da administração aracajuana, em que alguns auxiliares do prefeito ainda ficam culpando as administrações ligeiramente anteriores pelo seu próprio fracasso em algumas áreas. As administrações contrárias, estadual e municipal, igualam-se no que podem ter de pior: culpar os outros pelo que não têm mostrado competência e rapidez para resolver. Ora, basta desse tipo de argumentação. Chega dessa baboseira toda! De lado a lado. No passado, remoto ou recente, cada gestão teve acertos e desacertos.

            No artigo “Jackson Barreto na cabeça”, publicado aqui no Jornal da Cidade, em 8 de outubro último, após o resultado da eleição, eu lembrei que quando Jackson foi prefeito de Aracaju, na sua segunda gestão, quando ele fez a primeira reunião com o secretariado, nos meados de janeiro de 1993, concitou os secretários a mostrarem serviço, dizendo que: “Depois do carnaval, para o povo de Aracaju a minha administração já será velha”. Ele mostrava, assim, que tinha pressa em ver as coisas acontecendo. E agora, governador? Meta a mão na massa, bicho! De verdade. Mostre que você não veio para brincar.

            Mais uma coisa: a situação financeira do estado parece ser mesmo crítica. Basta dar uma olhada no artigo “O crescimento da dívida estadual em Sergipe”, escrito pelo professor de Economia da UFS, Emerson Souza, e publicado noutro jornal, no início da semana finda. Lá está dito, por exemplo, que “o custo da dívida passiva – encargos e amortizações contabilizados junto às despesas centralizadas pela Sefaz – foi da ordem de R$ 548,4 milhões (7,6% da arrecadação executada), em 2013. É muita grana. Em 2010, apenas para efeito de comparação, esse montante era de R$ 88,1 milhões, ou seja, 1,5% da arrecadação total”. Sendo assim, as amortizações de empréstimos antigos estariam pipocando agora, comprometendo as finanças do estado, ou somam-se também empréstimos novos e de curto prazo? Há outro dado alarmante, no artigo: “em 2009, o total da dívida interna e externa do governo do estado de Sergipe era de 1,32 bilhões” (6,7% do PIB sergipano). Mas, em 2012, a dívida chegou a 2,4 bilhões (8,65% do PIB estadual). Quase dobrou em apenas três anos? Os dados citados pelo professor Emerson foram tirados do relatório de contas anuais da Secretaria da Fazenda. São terríveis!

A gestão fazendária de JB terá que ser muito boa. A herança financeira que ele recebeu, de longa ou de curta data, é que não é boa. Além de competência e agilidade, Jackson Barreto e sua equipe vão precisar de reza forte. Muito forte. 

 

(*) Publicado no Jornal da Cidade, edição de 01 e 02 de fevereiro de 2015. 

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