60 anos depois - Os resquícios da Jovem Guarda em Sergipe

Por Eugênio Nascimento

No ano de 1965, quando entrou no ar na TV Record (SP) o programa Jovem Guarda, foi fortalecido no Brasil o movimento que era puxado pelo estilo musical iê, iê, iê, (Yeah - Yeah - Yeah) na verdade a primeira versão de sucesso do rock and roll no país. Os apresentadores eram Roberto Carlos, conhecido como o "Brasa" e, pouco tempo depois, reconhecido como o "Rei da Jovem Guarda", Erasmo Carlos, o "Tremendão", e Wanderléa, a "Ternurinha". O trio impôs no Brasil a guitarra como o símbolo da modernidade musical mundial e conquistou corações e mentes. Aqueles que rejeitavam a guitarra e certa banalidade das letras cantadas, normalmente versões ou traduções de músicas norte-americanas e inglesas,  insistiam em criticar o "rock inocente" que se fazia e a chamar os adéptos de alienados.

O programa tinha no seu elenco central bandas como Renato e Seus Blue Caps, Golden Boys, Os Vips, Trio Esperança, Pholias, The Fevers, The Jordans, Os Incríveis, The Jet Blacks, The Brazilian Bitles, e cantores como Martinha, Jerry Adriani, Leno e Lílian, Vanusa, Kátia Cilene, Waldirene, Enza Flori, Wanderley Cardoso, Demétrius, Ronnie Von, Cely Campelo (a nossa Rita Pavone), Deny e Dino, entre muitos outros, se estabeleceu no mercado e ocupavam, espaços em shows por todo o país. A maioria deles, inclusive Roberto Carlos, pôs os pés em Sergipe e se apresentou no Ginásio de Esportes Charles Moritz, do SESC, onde na época também aconteciam lutas livres..

Nessa época ninguém ou quase ninguém tinha televisão em Sergipe. Acho até que nem se sabia ao certo o que era uma emissora de TV ou um aparelho televisivo caseiro (o receptor de áudio e imagem). Mas tínhamos emissoras de rádio e o estilo musical, que era tocado em todo o país, fazia parte do dia a dia dos sergipanos. Isso estimulou o surgimento de programas de auditório e de bandas, os chamados conjuntos musicais. Um pouco antes de 1965, por exemplo, surgiu o Los Guanaris (em 1963) a banda mais famosa do Estado, que acompanhou artistas de renome nacional, como Roberto Carlos, Zé Ramalho, Luiz Gonzaga e Alceu Valença e se apresentou em estados como Maranhão, Ceará, Piauí, Bahia e Alagoas”. Vieram também Cassino Roayle, The Tops, Os Águias, Vikings, Brasa 10, etc.

O programa radiofônico de maior sucesso foi, inegavelmente, o “Roteiro das Onze”, iniciado por Reinado Moura e depois continuado por Gilvan Fontes, na Rádio Cultura, que foi fundada em 1959 e foi uma das principais propagadoras do estilo musical iê, iê, iê em Sergipe. Mas outras emissoras também deram difusão, a exemplo da rádio Aperipê de Sergipe, criada no dia 07 de fevereiro de 1939, Liberdade, fundada em 7 de setembro de 1953, Jornal, em 17 de setembro de 1958, e Atalaia, em 1968.

O rock inocente era o que havia de mais moderno e todo mundo queria ser moderno. Isso induziu até muita gente a dar os primeiros tragos no cigarro careta (o legalizado), beber umas caipirinhas ou cuba libre, fumar um baseado (cigarro de maconha), cheirar uma lança perfume (fora do período carnavalesco) ou um desodorante Moderato (que diziam que fazia a cabeça). Tudo isso fazia parte da “Festa de Arromba”.

Hoje, 60 depois, quando temos como sobrevivente da época da jovem guarda e reconhecida como tal, a Los Guaranis, vale lembrar que esse grupo e os demais que entraram na onda do iê, iê, iê e dos baladões românticos tinham espaços garantidos para apresentações no Iate Clube, Associação Atlética, Vasco Esporte Clube, Associação Atlética Banco do Brasil, Cotinguiba e algumas boates da época. Além de Los Guaranis, ainda hoje propagam a velha onda a Água Viva. E a festa continua.

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