As noitadas de festas juninas eram melhores com Elze e Zeca por aqui

29/06/2015 21:36:54 por Eugênio Nascimento em Colunas
Eugênio Nascimento


Desde a fase da minha adolescência até os dias de hoje, os festejos juninos sempre foram bastante marcantes para todos os membros da família Nascimento na rua Espírito Santo, no Aribé (Siqueira Campos) e, depois, na rua Engenheiro João Carvalho de Aragão (Atalaia), onde moraram meus pais Zeca Nascimento e Maria Elze Silva Nascimento. Na adolescência e início do período adulto curtíamos as noites por causa das comilanças induzidas pelas festas de São João e São Pedro. Achava que o São João na roça sempre foi melhor na capitá.

Desde que faleceu, em 1996, todos os anos os seus filhos lembram, e com muita saudade, dos festejos juninos com Elzinha, como parentes e amigas chamavam minha mãe. Ela e Zeca reuniam todos os anos seus filhos que moravam em Sergipe (eu, Maria José ,filha do primeiro casamento de seu pai, Afonso, Gleide, Roberto, Hortência, Valdice, Ilze, Ariosto, Ana e Marcos) para animados papos na calçada, próximo ao local onde ficava a fogueira.

Bebia-se licores de genipapo, laranja e jabuticaba, Cinzano (pense, em um vermouth com o gostinho de Biotônico Fontoura e o velho Phos Kola, na época em que contavam com um pouco de álcool), batidas de limão, maracujá e coco verde, caipirosca, cerveja bem gelada e o que mais aparecesse, inclusive conhaque ou um çpinga pura, seca, melada com limão. Mas o bom mesmo das noitadas de festa junina (dias 23, 24, 28 e 29) era quando começávamos a comer os milhos assados e cozidos, as deliciosas canjicas e pamonhas que minha mãe fazia.

Afirmo, sem medo de errar: as canjicas e pamonhas feitas por minha mãe eram as melhores de todo o mundo. Nunca ouvi sequer falar que alguma outra já chegou a ter sabor próximo daquelas que Elzinha fazia. Ela usava milho e coco ralados (nunca batidos no liquidificador) na hora (nada de Canjiquinha São Braz ou farinha e/ou fubá de milho no meio) e deixava em grandes travessas do meio da tarde até à noite, quando estava fria e rígida o suficiente para cortar em fatias para que todos se servissem.

Toda e qualquer comida que minha mãe se dispusesse a fazer, sempre era boa. Assim eram também os bolos de milho, macaxeira e puba que caprichava no período junino. Mas os filhos até hoje comentam os saborosos lombos de porco e boi, o guisado de carneiro, a galinha de capoeira (algumas vezes acompanhada pelo pirão), a macarronada (às vezes fazia talharim) ao alho, manteiga e cebola, as moquecas e peixadas, o guisado de carne de boi com batatas, o fígado bovino com batatas, pedaços grandes de tomates, pimentões e cebola, a feijoada...

Elzinha nunca trabalhou fora de casa e dedicou a sua vida aos filhos e ao marido. Fazia isso com muito prazer e, talvez por isso, não gostava quando convocava à todos para as comilanças e alguém faltava. Era “carão” na certa, por telefone, e, no final da semana seguinte, na base do tête-à-tête. Meu pai gostava também de dar as suas broncas nos faltosos e lembrava sempre que “perdeu o amendoim que eu cozinhei e a canjica e pamonha feitas por sua mãe”. Ele trazia o amendoim, a macaxeira, o milho, a batata doce e laranja do sítio, lá do povoado Duro, em Itaporanga D’Ajuda, onde fazia junto com seus irmãos “Mundinho” e “Mingo” a farinha de mandioca e beijus variados.

Foi durante os festejos juninos deste ano que os Nascimento passaram alguns momentos no “zapzap” relembrando os bons momentos ao lado de dona Elze e de seu Zeca, ambos já falecidos, as comilanças e noitadas de bate papo na calçada de casa, que contavam ainda com carne do sol, linguiça e peito e coxas de galinha assadas na brasa.

As noites de festas juninas eram bem melhores quando eles – Elzinha e Zeca – estavam por aqui. E a gente ainda tinha o direito de ouvir o velho "Gonzagão", Trio Nordestino, Dominguinhos e outros bons forroseiros como Josa, o "Vaqueiro do Sertão", Clemilda e Gerson Filho no rádio ou no LP, no picape (a velha radiola). Mas, ainda assim, a festa continua.
 

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